Cultura
A cultura das conservas: porque Portugal nunca parou
Noutros países, o peixe enlatado tornou-se um recurso barato. Em Portugal, manteve-se um ofício — e depois tornou-se um presente.
Portugal construiu a sua indústria conserveira no século XIX em torno de Matosinhos, Portimão e Setúbal — e nunca a desmontou.
Quando a procura caiu, as casas foram no sentido contrário: melhor peixe, melhor azeite, rótulos ilustrados, latas datadas. A conserva passou a ser algo que se oferece, não algo que se esconde.
É por isso que uma lata portuguesa parece um pequeno livro. A embalagem faz parte do produto.

